No Olho do Furacão

Alguns textos

Publicado em Sem categoria por franvogner em 16/06/2011

Como é evidente, eu me afastei da revista Cinética há um tempo e tenho usado este blog como trincheira.

Porém, saiu hoje um texto meu que já está pronto há bastante tempo e foi feito a partir de reflexões sobre dois filmes que vi na Mostra de Tiradentes, onde participei de dois debates este ano.

É uma edição repleta de textos (que não li ainda) e é a primeira depois do afastamento de Eduardo Valente da editoria, deixando tudo a cargo de Fábio Andrade.

 

Uma resposta

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  1. ricardo disse, em 21/06/2011 às 12:50 am

    no caso dos residentes eu fico pensando na cena do casal/bigode. é uma cena que está bem mais perto do cassavetes do que do godard (apesar de me lembrar de o desprezo também). tem uma certa ruptura com o trabalho de construção estética do filme, mas ao mesmo tempo tem um enorme peso e uma grande duração. é uma cena que parece ser bem espontânea (independente do que se sabe sobre o processo), e talvez a força dela reside nisso aí, nesse encontro do diretor com os atores, nessa relação, nessa torca, nessa admiração. nessa cena o diretor é só mais um, ele está longe de estar no controle estético, o fator de indeterminância aqui parece ser grande. o filme parece ser muito trabalhado e construído, mas essa cena contradiz isso. aqui não é mais uma destruição de nossas representações, aqui é experiência, é troca. eu chorei as duas vezes que vi essa cena. acho que ali acontece uma revolução. cortar o bigode é infinitamente mais transformador do que ficar lançando bombas invisíveis no quarto. ali o mistério dos sexos é intenso e profundo. e o bigode dela acentua isso como um gesto artístico final. mas, no filme tem outra cena “espontânea” que considero a mais fraca que é a do carnaval de rua. ali o descontrole estético do diretor não ajuda em nada. enquanto na cena do quarto é tudo verdadeiro, na cena do carnaval é tudo falso. nem sempre o espontâneo é bom, mas nem sempre a construção estética é bem vinda (é nesse sentido que o carax me cansa, enquanto o godard me encanta).
    abraços
    ricardo


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