No Olho do Furacão

Uma tragédia cósmica…

Posted in Sem categoria by franvogner on 10/01/2012

…em um  zoom out.

Encounters at the End of the World, 2007

É por conta do que Herzog faz em planos como este do pinguim correndo em direção ao NADA em Encontros no Fim do Mundo que os seus trabalhos em documentários são dos poucos – na categoria – que me interessam hoje em dia.

Um deprimido ataque burocrático

Posted in Sem categoria by franvogner on 06/12/2011

Há uns meses fui convidado para a 5a Semana de Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina. Fui, debati e voltei.

Nesses dias li um artigo na revista Punctum que me atacou pessoalmente a partir da minha participação nesse debate. O tema era “crítica de cinema”.

Mandei um email ao autor do artigo – o professor Luiz Felipe Soares – e não obtive resposta. Eu não ia me manifestar sobre isso, mas como a pichação foi pessoal acho que a questão necessita de uma breve réplica.

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Pra um debate existir é preciso haver interlocutores e divergência. Debate não é chá de comadres e nem sempre prima pela cordialidade. Como muitas vezes é um embate de idéias, o debate pode ser violento, o que não quer dizer que não seja civilizado. Essas não são regras, mas condições, senão não há debate: há palestra, aula, fala, sermão, performance retórica, depoimento, prestação de contas e discurso. Não um debate. Em um debate há esclarecimento, convergências, mas há também ruídos, pontos de partida divergentes que talvez não cheguem a uma conclusão, entretanto, um atrito dessa natureza sempre revela posições, sutilezas e limites que não viriam à tona de outro modo.

Escrevo isso porque parece que o professor Luiz Felipe Soares, da Universidade Federal de Santa Catarina, não sabe o que é um debate, pois se soubesse talvez tivesse me poupado da análise que fez do meu comportamento e da minha pessoa no debate sobre crítica na Semana de Cinema da Universidade Federal de Catarina. A análise, ou melhor, o juízo que ele fez sobre mim na revista Punctum foi possível porque ele estava presente e ouviu minha fala. Não replicou, não me provocou, não se colocou em… debate. Segundo o professor, eu fui arrogante, superficial, moralista, mal educado, discuti a crítica a partir de questões tolas e agi como se eu fosse “o grande esperado da Semana de Cinema”. Segundo ele, eu ofendi não só os alunos de cinema da UFSC, mas os alunos de cinema em geral e só fui convidado porque alguns alunos da universidade indicaram meu nome e disseram que eu era colaborador de importantes revistas de cinema.

Pois é. Não fui pra fazer amigos e nem inimigos, fui a um debate sobre crítica de cinema, esperando que, inclusive, as divergências aparecessem (o que é normal) e que pudessem ser discutidas. O debate aconteceu? Sim, mas em outro tom. Foi uma conversa estimulante (ao menos pra mim) entre eu, José Geraldo Couto, André Zacchi, o professor Jair Tadeu da Fonseca (que mediou o debate) e alguns alunos que fizeram colocações, provocações e perguntas. Gostei muito. Mas Luiz Felipe Soares ficou em silêncio. Talvez para ele não valesse a pena expor ali seus incômodos e suas idéias. E como ele torna evidente em seu texto, talvez o meu nível (sim, da minha pessoa e das minhas idéias) fosse baixo. No texto o professor pontuou as divergências, condenou, desqualificou, mas não foi a fundo. Disse que nada entendi da proposta de crítica de André Zacchi, o que é verdade. Bem, se incorri no erro, um debate não seria o momento ideal para o erro e o esclarecimento viessem a acontecer? Ele disse também que eu assumi não ter preparado nada. Preparar eu preparei, só não tinha um discurso fechado e programático sobre crítica de cinema. Mas eu argumentei, me coloquei e busquei discutir uma série de pontos sobre a questão da crítica. Não sou crítico de método muito ortodoxo e mesmo assim, tenho um trabalho e é por causa disso que os alunos dele me indicaram.

Eu gostaria de saber realmente a posição dele com relação o que coloquei sobre crítica de cinema. O texto dele não diz. Mas enfim, depois do julgamento e da sentença ele partiu para o que “realmente interessava” que era o debate do Eduardo Coutinho, a quem ele criticou a falta de educação, de tato e a pouca (ou nenhuma) generosidade. Ou seja: mais uma “impressão” ressentida de um escriba que supostamente fala em nome de uma instituição e de um curso que, na visão dele, foram desprestigiados, e fica a fazer análise de conduta.

Como não conheci o tal professor pessoalmente, não posso falar dele, mas posso falar do texto, do modo como ele se colocou em relação ao debate e às falas que ele considerou de mau tom.

Ora, essa postura ressentida e oficialesca é estratégia bem conhecida. O texto revela uma postura institucional. Só que essa postura institucional, que se diga, não é da UFSC (que tem o respeitado professor Mauro Pommer como diretor e um corpo docente com muita gente boa), mas de um professor que busca representá-la, que destila veneno, ressentimento e antipatia e se coloca no fim das contas como um patrulheiro de condutas e posicionamentos. A patrulha é por conta própria e a suposta superioridade é patologia individual.

A estratégia do covarde, sempre, é falar em nome da instituição, se esconder atrás de uma postura corporativista, o que, se em alguns casos revela muito da cultura institucional (a cultura institucional em geral, não da universidade em questão), em outros casos (como este) revela mais como essa pessoa entende seu papel dentro dela e se utiliza desse papel para expurgar problemas de ordem pessoal. Sim, de ordem pessoal, pois o texto só lamenta e critica a maneira como debatedores se comportaram e se colocaram em relação a algumas idéias. Bispos, padres, advogados, professores, secretários, inspetores, gerentes e pelegos exercem pequenas taras de poder falando em nome da instituição, se escondendo atrás de comunicados, boletins e artigos, e fazem isso aspirando a valores e sentimentos nobres. É a hipocrisia pura e simples. O que dizer de um indivíduo que testemunhou presencialmente debates que o incomodaram – e lhe incitaram repulsa e desprezo – e mesmo assim ficou de biquinho calado e se omitiu? Omissão é e sempre foi impostura intelectual, covardia e fraqueza moral. Ele disse que proferi moralismos, mas quem repreendeu comportamentos foi ele em um texto nervoso, complexado escrito posteriormente na segurança de sua toca.

Deslegitimação e desqualificação do outro é a estratégia do medíocre. O confronto intelectual é imprescindível porque é uma das maneiras mais interessantes de intervenção no debate das idéias. Ele não fez isso, preferiu o ressentimento (e não entendi exatamente o motivo disso) ao argumento. Fez um relatório disciplinar, de viés inquisitório. Burocracia e coação puras.

Augusto de Campos with lasers

Posted in Sem categoria by franvogner on 03/08/2011

Gullar, Gullar.

Sua mania em se fazer protagonista da História com H maiúsculo  – você viu tudo antes, entendeu tudo antes de todo mundo – está se tornando um pequeno vexame público, porque dessa vez sua auto-importância e  auto-admiração auto-consciente foi fulminada pelo humor (que você não tem) do grande (em estatura literária, não em orelhas) Augusto de Campos.

Dessa vez o senhor que sempre disse a frase de pára-choque número 1  “não quero ter razão, quero ser feliz” (a número 2 deve ser alguma de Eduardo Galeano, que pelo menos me parece um boa praça), demanda “coerência histórica” por dizer que você sempre curtiu OSWALDDEANDRADE, enquanto Augusto de Campos, esse bufo paulistano, fazia cara de nojinho. Isso lá nos distantes anos 50.

Pois é Gullar é assim: bateu, levou.

ps.Abaixo, o artigo do Augusto de Campos para a FSP

No banquete antropofágico: "Pagu: Oswald, quem convidou o Ferreirinha pro banquete? Oswald: Putz! Ontem eu tomei um rabo de galo ali na Praça da República e fiquei amigo de todo mundo, ai convidei o Ferreirinha porque ele me lembrou minha saudosa tia Maria das Dores que nunca casou e insistia em ser chamada de "senhorita" até o leito de morte. Ela era um sarro. Pagu: Mas a mesa do banquete não tem mais lugar! Oswald: faz o seguinte, pega a cadeirinha do Rudá pro Ferreirinha sentar e o coloca na mesa das crianças. Pagu: Mas ali só se vai servir sobremesa... Oswald: ele que se empaturre!

Sobre a gula

Poeta responde à coluna em que Ferreira Gullar afirma tê-lo ouvido criticar Oswald de Andrade em 1954

AUGUSTO DE CAMPOS
ESPECIAL PARA A FOLHA

O poeta Ferreira Gullar continua guloso. E mais desmemoriado do que nunca.

É verdade que já se penitenciou. No artigo “Errar é comigo mesmo” (26/7/2009), confessou-se: “Na primeira crônica, aqui publicada no dia 2 de janeiro de 2005, afirmei, em alto e bom som, que esqueço tudo o que leio e tendo a inventar de minha cabeça o que os romances não contam e os ensaios não dizem.
Que crédito pode merecer um sujeito tão desligado que chega a mijar na lata de lixo pensando que é o vaso sanitário? Era inevitável acontecer o que tem acontecido: cartas e cartas de leitores apontando os erros que cometo, informações erradas, dados equivocados. São tantos que já nem consigo lembrar, e não os lembraria ainda que fossem poucos, porque lembrar não é o meu forte. (…) E tem sempre aquele leitor chatinho que aproveita para nos dar um puxão de orelha. A minha, aliás, já está ardendo”.
Lamento seus problemas neo-urológicos e auriculares. Mas ele esqueceu de dizer que sua cabeça só funciona para engrandecer-se. Lembra que, gênio precoce, foi campeão de bolinha-de-gude. E vive trocando as bolas, sempre em proveito próprio.
Gullar inventou uma conversa de bar de mais de 50 anos para tentar desmerecer o meu apreço a Oswald de Andrade, os muitos estudos que publiquei e, por tabela, os de Décio Pignatari e Haroldo de Campos contra nenhum trabalho seu, que sobre Oswald tem um poema de circunstância sacado do fundo da gaveta.
O encontro em Spaghettilândia jamais ocorreu. No Rio eu só como espaguete recomendado por amigos.
Conheci-o em 1955 em seu apartamento levado por Oliveira Bastos. Como disse Manuel Bandeira, fui puxá-lo pelos cabelos.
Neo-Nero, anunciara que não faria mais poemas. Mostrei-lhe os nossos e ele se saiu com um formigueiro trapalhônico… Quando a exposição de Arte Concreta (dezembro de 1956) foi para o Rio (em fevereiro de 1957), ele, que para aqui mandara cinco cartazetes formigulosos, encheu uma sala de formigas (13 cartazes de 1 x 2 m). Numa coletiva de 26 artistas em que a regra era que cada qual exporia até quatro trabalhos! Haja ética! Não adiantou.
O formicida do Tempo engoliu o guloso formigamento. Eu fora ao Rio convidá-lo generosamente para participar da mostra. Vi-o mais quatro ou cinco vezes de passagem. Uma, na casa de Mário Pedrosa: conversei o tempo todo com Mário Faustino, que era culto e civil, o oposto de Gullar, monoglota e ególatra.
Haroldo o viu uma vez, em 1957. Gullar só falava em Murilo Mendes e nos surrealistas. Na fase neostalinista, proclamou que quem estava certo era Mário de Andrade, não Oswald. Esqueceu disso também?
Conheci Oswald em 1949, visitei-o muitas vezes, e estive com Décio e Haroldo entre os poucos que o saudaram como “o mais jovem” no “Telefonema a Oswald” (Jornal de São Paulo, 15/1/1950). Décio nos representou no “banquete antropofágico” em homenagem ao poeta ” sexappealgenário” no Automóvel Clube (1950).
Em 1954, Décio propôs a peça “O Rei da Vela” no seu Teatro de Cartilha. Nos manifestos da poesia concreta, Oswald é destaque. E, no “Diário Popular” (12/12/1956), depusemos Haroldo e eu: “Contra a reação sufocante, lutou quase sozinha a obra de Oswald de Andrade, que sofre, de há muito, um injusto e caviloso processo de olvido sob a pecha de ‘clownismo’ futurista. Seus poemas (‘Poesias Reunidas O. Andrade’), seus romances-invenções ‘Serafim Ponte Grande’ e ‘Memórias Sentimentais de João Miramar’ (de tiragens há muito esgotadas, para não falar de seus trabalhos esparsos ou inéditos), que ainda hoje, por sua inexorável ousadia, continuam a apavorar os editores, são uma raridade no desolado panorama artístico brasileiro. A violenta compressão a que Oswald submete o poema, atingindo sínteses diretas, propõe um problema de funcionalidade orgânica que causa espécie em confronto com o vício retórico nacional”.
Ninguém precisou de Gullar e sua vã gloríola.
A sua grande contribuição: descobriu em Oswald duas qualidades, humor e frescor. Nenhuma tem Gullar. Guloso e ressentido, diz que a poesia concreta é tolice, mas quer ser seu precursor… O “Lance de Dados”, de Mallarmé? “Pensou” em traduzir… Só que foi Haroldo o tradutor.
Sousândrade é chato porque foi descoberto por nós, mas ele já sabia que existia.
O papo furado sobre Oswald é porque nós o resgatamos. Décio e Haroldo não são poetas -explode. Eu seria, mas fui corrompido pelos meus companheiros. Inglório furor competitivo. Frágil casquinha do trabalho alheio.
Por que não sai da casquinha e entra na Academia Brasileira de Letras onde o espera o confrade Sarney? Afinal, inventou a neomemória e o neoacademismo…

Foco: James Gray

Posted in Sem categoria by franvogner on 18/07/2011

Depois de algumas estações está ai http://www.focorevistadecinema.com.br/

Este é o terceiro número da Foco e o primeiro com um cineasta em atividade. Depois de Samuel Fuller (número 1),  Jean-Claude Guiguet e John Flynn (número 2), é bastante natural que a escolha do “contemporâneo” contemplasse James Gray. Uma coisa importante a dizer sobre o “contemporâneo”: para os editores escolher James Gray não é só uma opção por entrar no debate das coisas atuais, já que está claro que as edições anteriores (a partir de cineastas que fizeram sua obra em outros tempos) também propunham um debate com este tempo (anos 2000). O que guiou a escolha dos editores é que este cineasta tem uma obra tão forte e singular que vale a pena se debruçar sobre ela.  Se em alguma medida falar de um diretor atuante em nossa época é colocar em crise alguns predicados da produção atual (e da critica atual) tanto melhor assim. Mas essa escolha de Gray não é desvinculada das escolhas de Fuller ou Guiguet: é um desdobramento.

No número 1 as escolhas de Fuller e da homenagem ao crítico João Bénard da Costa (falecido um pouco antes da edição 1 da Foco) foram paradigmáticas. Sabemos que Fuller foi o cineasta que nos anos 50 e 60 tirou a crítica da ingenuidade formalista e política. O negócio era o seguinte: dizia-se que seus filmes  eram formalmente vulgares e politicamente fascistas. Os filmes de Fuller enfureciam os críticos comunistas e eram esnobados pelos críticos de direita. Frente a isso alguns críticos mais apaixonados e curiosos (Domarchi, Rohmer, Godard, Truffaut e sobretudo Moullet) elevaram o nível da discussão estética e política ao saírem em defesa dos filmes de Fuller. Daí surgiu o a máxima “a moral é uma questão de travelling”, do Moullet. Essa foi, definitivamente, a entrada do cinema na discussão estética e política madura.

Uma homenagem ao crítico e diretor da Cinemateca Portuguesa João Bénard da Costa foi também um modo de vislumbrar, mais do que uma identificação de “linha crítica”, um desejo de cinema: um cinema vivo, parte de uma cultura atenta ao seu tempo, porém calcada na apreciação artística e na tentativa de entender as fissuras que isso causa no mundo.

Se as escolhas de Fuller e Bénard da Costa foram bastante simbólicas de um posicionamento foi porque se fez também como uma tentativa de “limpar o campo” nas discussões sobre cinema  e ao mesmo tempo se filiar a uma tradição crítica de modo bem claro.

Na pauta seguinte, pensar sobre Guiguet e Flynn é sequência e uma ampliação dessa “opção crítica”: trazer à luz um cineasta-crítico desconhecido do público e jogado para o debaixo do tapete no cinema moderno europeu (Guiguet), justamente por fazer um certo tipo de filme (de dramaturgia, romanesco) em uma época em que isso era visto com desconfiança, e discutir a obra de um grande cineasta (Flynn) ignorado solenemente por ser um diretor “barato” de filmes de ação, sendo alguns deles vistos como…reacionários (sobretudo Rolling Thunder).

As escolhas não foram ditadas só pela provocação, mas pelo desejo de inscrever na discussão sobre cinema cineastas  de personalidade grave sobre os quais vale a pena falar. É um trabalho que trata a discussão cinefílica como crítica de arte, para além de tratar a arte, como diria Jamenson, como “evento”.

Gray, portanto, é uma escolha natural, reforçada pela célebre entrevista (pela primeira vez em português)  “o antigo e o novo” de Comolli, Biette e Bomtemps com Eric Rohmer em 1965, pouco depois de sua demissão da editoria dos Cahiers du Cinéma no final de 1963.

Se há uma redação oficial, ela é composta pelos seus editores Bruno Andrade, Felipe Medeiros e Matheus Cartaxo.  Os outros colaboradores formam uma redação flutuante, que colabora vez sim, vez não. Algo fundamental a  se notar: os colaboradores fazem parte de um grupo transnacional que, em sua maioria, escrevem seus textos originalmente para a Foco. Da Itália Toni D’Angela, que é  editor do La Furia Umana e escreveu livros sobre John Ford e Raoul Walsh;  da França Vincent Jourdan e Christophe Fouchet; da Espanha Jesús Cortés e veterano Miguel Mariás; de Portugal Luís Miguel Oliveira, João Palhares e José Oliveira. É uma comunidade crítica e cinéfila transnacional e provavelmente o único encontro crítico (em um trabalho conjunto efetivo) entre Portugal e Brasil, sempre e estranhamente tão distantes na História do cinema.

Há também reedições e muitas traduções para o português  de textos clássicos, um trabalho que nossas editoras locais nunca se preocuparam em fazer e organizar e que a contracampo, o blog dicionários de cinema se lançam  há um bom tempo.

Abaixo, alguns frames de uma das cenas mais belas de The Yards, de James Gray.



Soundtrack para a semana

Posted in Sem categoria by franvogner on 11/07/2011

 

 

 

 

 

 

 

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Posted in Sem categoria by franvogner on 09/07/2011

Não é o melhor álbum do Milton (ou com o Milton), mas sem dúvida entre os discos “de grupo” da música brasileira moderna é o mais bonito. Talvez uma ou outra música desse álbum tenha sido vilipendiada desde então por alguns artistas (Skank, Vanessa da Mata) que não devem – na real – gostar das canções, se não fariam o que fizeram. Regravações estas que são semelhantes aos remakes atuais de filmes de horror dos anos 70 e 80.

Cristo, segundo Nick Cave

Posted in Sem categoria by franvogner on 06/07/2011

Alguns textos

Posted in Sem categoria by franvogner on 16/06/2011

Como é evidente, eu me afastei da revista Cinética há um tempo e tenho usado este blog como trincheira.

Porém, saiu hoje um texto meu que já está pronto há bastante tempo e foi feito a partir de reflexões sobre dois filmes que vi na Mostra de Tiradentes, onde participei de dois debates este ano.

É uma edição repleta de textos (que não li ainda) e é a primeira depois do afastamento de Eduardo Valente da editoria, deixando tudo a cargo de Fábio Andrade.

 

Nanni Moretti

Posted in Sem categoria by franvogner on 06/06/2011

Nanni Moretti tem uma integridade rara que não precisa prestar contas a quem quer que seja. Ele compra as brigas certas (as brigas do seu tempo), sem aquele ranço decadente, ressentido ou meramente marketeiro que toma muitos “homens e mulheres” de esquerda pós-68. Seus filmes passam longe disso, ao passo que seu conterrâneo Bertolucci representa o que há de mais decadente nessa “herança progressista”. Eu e o amigo Bruno Andrade falávamos disso. Inclusive quem me lembrou do Bertolucci foi ele ao fazer uma analogia entre o cineasta e os derrotados de 68 (que acham que venceram depois que  a História os legitimou).

Enfim, os cineastas (mas também pensadores, escritores e outros sujeitos) mais interessantes tem em uma solidão lúcida a sua potência crítica, por mais que vez ou outra pareçam anacrônicos, desconfiados, e em certos casos, alucinados. Cléber Eduardo disse na entrevista à Filme Cultura – citando Agamben – que prefere se sentir um pouco defasado com relação ao contemporâneo, pois esse recuo é necessário para entender as coisas de seu tempo. Essa é uma postura importante para que se possa construir um olhar crítico. Fora isso, o risco é o reacionarismo puro e simples de um lado e a banalidade de outro. Qual banalidade? Berdiaev responde: “ A liberação compreendida como um alívio de todo o fardo da vida, como obtenção do contentamento, engendra inevitavelmente a vitória da banalidade, pois dela resulta um abandono da profundidade e  da originalidade, em favor do aburguesamento”.

Bem avesso a essa banalidade, Moretti fez filmes como por exemplo, O quarto do filho. Filme sobre o luto, aliás, é sobre o abismo incurável do luto. Não é sobre sua superação , mas sobre a convivência com este. É a tentativa de colocar ordem à vida, apesar de saber que a morte do filho não é coisa que se cure. Não se dissimula o trágico e a angústia. Não se contenta com a mentira, mesmo que ela seja bonitinha e criativa.

Caro Diário, por exemplo, é um tratado que versa sobre a vulgaridade de alguns fetiches modernos: a vulgaridade do consumo, a vulgaridade das formas, a vulgaridade dos discursos políticos, a vulgaridade dos costumes. Ele tem esse recuo (como diz o Cléber) perante as coisas, forma de conquistar a lucidez necessária para desvaler o absurdo e o banal. Desse modo, o turismo, o blá blá blá dos filmes politizados, o culto às celebridades, o mercado dos diagnósticos médicos, tudo isso é visto com estranhamento e é importante dizer: sem cinismo.

Moretti não é desses artistas  “sensação do momento”, tanto que parte da valorização de seu último filme Habemus Papam na imprensa passa por dizer que ele resgata em certo sentido a “comédia italiana”. Ou seja: no anacrônico.  Não vi o filme, mas não consigo acreditar que o valor está ai, pois esse “valor” (a comédia italiana)está presente em boa parte de seus filmes, e geralmente ele tem muito mais a dizer (e a mostrar). Pois é…a discrição tem seu preço.

Bem, Nanni Moretti não é nunca foi marketeiro, nem como polemista, nem como artista. Sua intervenção no debate público (inimigo número 1 de Berlusconi) e seus filmes são  íntegros demais para falar mais alto do que precisa. É essa a “justa medida” (e não a  “medida justa”)de Moretti. Ele não é menos violento e menos demolidor por causa disso. Pelo contrário: ele atinge o nervo das coisas com golpes precisos.

…………………….

Essa aversão (como a de Moretti) ao marketing da forma e das idéias é o que cria as fissuras necessárias no debate contemporâneo. Bem, o marketing é provavelmente o fundamento político atual, seja à esquerda ou à direita; seja no mercado de “autor” do cinema contemporâneo e na busca desesperada de “novas idéias e formas” no pensamento e na estética; seja nas polêmicas engendradas em nível ético e moral e na disseminação de um policiamento do que se fala, de como se fala e de como se comporta.  Nisso os reacionários bufam cada vez mais e os humanistas agem como cínicos, pois a obsessão pelo politicamente correto é comemorado como “festa da democracia”.

trailer do último

Sobre a sessão Vitrine e seus filmes

Posted in Sem categoria by franvogner on 04/06/2011

Morro do céu, de Gustavo Spolidoro

Eu soube meio por cima dessa tal “Sessão Vitrine” que pretende exibir filmes brasileiros de alguma repercussão em festivais.

O cardápio é atrativo, não porque só haja filmes bons, mas porque existe nesse grupo alguns trabalhos que possuem trabalhos estéticos muito interessantes e seria bom se eles encontrassem público para além dos freqüentadores de festivais.

Entre os títulos, gosto muito de Estrada para Yhtaca, de Luiz Pretti/Ricardo Pretti/Pedro Diógenes/Guto Parente, de Chantal Akerman de cá, de Gustavo Beck (achava que Beck assina a direção com o Leo Luiz, porém vi no site que não), Morro do céu, de Gustavo Spolidoro e Um lugar ao sol, de Cristiano Mascaro. Não vi Estrada real da cachaça, de Pedro Urano.

A próxima leva da Vitrine filmes me interessa (bem) menos: Avenida Brasília Formosa, A Casa de Sandro Pacific. Os outros (como Favela on blast) eu não assisti. Pacific, de Marcelo Pedroso, especificamente, não dá certo e é vítima da maior chantagem teórica dos últimos tempos. Há um texto de Francisco Bosco nesse blog (abaixo) que joga bastante luz sobre o tipo de equívoco que orienta a discussão sobre o Pacific. Pretendo voltar a  Pacific outra hora.

Morro do Céu e Um Lugar ao Sol vi só uma vez e me pareceram bem fortes. Mas quero rever, porque as condições em que os vi não foram as melhores. Por outro lado, Estrada para Ythaca e Chantal Akerman de cá foram vistos duas vezes cada um.

Estrada para Ythacaé admirável. Existe nele um cruzamento entre algumas tendências em voga no cinema contemporâneo e a herança do cinema moderno de outras décadas, porém sem vampirismo. A  relação entre uma certa tradição moderna e o cinema atual  é dinâmica. Temos um luto, a “amizade como modo de vida” e um trajeto sem chegada, porém repleto de reinícios.

Entretanto não uso como argumento de valor o fato de que o trabalho da “gang of four” de Ythaca dialoga com  “tendências do cinema contemporâneo”, ou de transparecer “cultura cinematográfica”, de ter  “afeto como gesto fundamental”, de ver “importância no processo de criação” e etc.  Isso tudo poder ser importante no desejo  de cinema dos diretores e podem ser dados que nos ajudem a compreender Ythaca um pouco mais, porém esses argumento (bonitos até) não determinam nada no resultado estético não só deste filme, mas de qualquer um.  O que principalmente chama a atenção em Estrada para Ythaca é a imaginação. Esse pequeno – e não mensurável – detalhe é o único sopro de vida que qualquer filme pode ter. Sem esse “sopro” qualquer obra é só argila molhada e mais nada.  Só acho que a certa altura do filme em que é dado aos personagens-diretores a escolha entre dois caminhos,  escolheram o  errado. O “outro caminho” me parece mais revelador do espírito do filme.

Os quatro diretores realizaram ano passado Os Monstros. É um filme diferente de Ythaca e depois da sua projeção eu pensei ter gostado um pouco menos dele do que do anterior. Mas cresceu na memória. Em Os Monstros  os desafios são outros e no fim das contas me parece mais franco como auto-retrato. É uma pequena crônica sobre uma comunidade masculina. É também, como o anterior, sobre personagens que começam com um tipo de derrota que a vida lhes infringe. O filme também está  longe da insipidez imaginativa. Por isso é a imaginação, não o processo, o sistema de produção, o dispositivo, os predicados existenciais, o refinamento da cultura cinematográfica, que conta . Aliás, contam SIM, mas como matéria, não como resultado.

Chantal Akerman de cá ganhou um prêmio de “melhor dispositivo” no último Cine Esquemanovo.  Se eu fosse o diretor não gostaria de ter recebido este prêmio.  Ficaria ofendido. Sei que não foi má fé do júri, mas pô, “melhor dispositivo”? Em termos estéticos e artistícos (e em técnicos) isso não quer dizer nada. Simples assim.

Chantal Akerman de cá , de fato, possui um dispositivo que de início chama a atenção. É um berro conceitual que pode aborrecer alguns. Mas acontece que o filme de Beck tem uma organicidade que aos poucos tira o “protagonismo” desse dispositivo e faz com que ele seja um filme que funciona como um corpo vivo. Não é possível dissecá-lo para análise. Ele é um filme de plano e este “único plano” tem uma transformação interna e externa gradual. Não é uma “imagem” (ou seja: que tem valor sobretudo em sua plástica), mas um plano com suas implicações. Isso é importante dizer, pois tudo que se articula ali tem como questão essa frontalidade nua. Existe uma personagem, um modo de olhá-la, de implicá-la e algumas limitações nessa abordagem. Essas limitações são interessantes.  Como fazer um retrato e não uma reportagem? Ai cabe uma pergunta-desdobramento: como fazer desse retrato algo ativo (um movimento) e não uma coisa veneravelmente formal? Portanto o “dispositivo” por si só não diz nada. Ele é parte do método.

A figura do entrevistador oculto Leonardo Luiz Ferreira é indispensável. Não consigo imaginar o filme sem ele. Suas perguntas são diretas, pessoais e objetivas. Isso também – não só o “dispositivo”, ou juntamente com o dispositivo – imprime essa parcimônica elegante (e frutífera) do filme. Este é o anti-A Casa de Sandro. A Casa de Sandro, o trabalho anterior de Beck, era vítima do seu dispositivo.  Se A Casa de Sandro fosse um quadro, nele eu veria mais a moldura do que a pintura.

No mais, em Chantal Akerman de cá, um milagre rosselliniano de transfiguração e conversão: Chantal Akerman (que é uma chata) se sente à vontade com as perguntas de Leo Luiz e em frente a câmera de Gustavo Beck. Assim, a personagem (que é chata e desinteressante) fica interessante e (só) um pouquinho menos chata.   Piadas a parte, Chantal Akerman de cá é divertido e instigante, diferente dos filmes da diretora que, em absoluto, não me fazem a cabeça. Exceção notável: Jeanne Dielman. Exceção parcial: La Captive.

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