No Olho do Furacão

Bio

Posted in Sem categoria by franvogner on 17/01/2011

O Cléber escreveu no blog dele sobre nomes e palavras do contemporâneo. Esses termos que ele elenca me parecem uma atrapalhação sem fim. Cada vez mais acho que a quantidade de neologismos usadas sistematicamente em textos e discussões só servem para imprimir a marca “contemporâneo” como se estivéssemos complexificando os temas e abordagens, quando na verdade muitas vezes são remendos novos em roupas velhas. Puro fetiche.

Entre os termos  um que realmente não entendo ou entendo pouco: biopolítica. Sem ironia da minha parte. A biopolítica seria um termo que definiria a relação do indivíduo (ou da comunidade, da sociedade) com forças maiores que permeiam todas (ou boa parte) das instâncias da vida. Mas tudo que procurei ler sobre biopolítica (tentando sinceramente entender o uso do termo), não justifica necessariamente o “bio”, nem em Foucault, nem em Negri, nada…

Hanna Arendt (no A Condição Humana) e Marx (tem cineasta que o chama simplesmente de “Karl”. Deve ser uma relação biopolítica com o pensador) falam simplesmente “política”. Ambos trataram do impacto das formas poder – políticas – no cotidiano moderno e sua aceitação quase geral e naturalizada. Isso era “política”, ai vem Foucault e fala “bio”.  Hoje leio “biopolítica” até no folheto da missa e no banheiro público. Mas esse neologismo de Foucault é revolucionário e transformou o sentido das coisas? Não sei…talvez o uso em Foucault faça sentido, mas a vinculação do “bio” ao termo política, como categoria, me parece coisa meio estéril. Já acho o termo “política” complexo o bastante e abarca, com desenvolutura, essas coisas a que delegam o “bio”. Precisamos do “bio”?

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