No Olho do Furacão

Contos da Lua Vaga

Posted in Sem categoria by franvogner on 25/03/2011

A primeira coisa que se vê é um movimento de câmera que explora os campos abertos do Japão feudal. A seqüência é invadida pelo plano (uma transição sutil) de um lago, que em um segundo desaparece, dando prosseguimento ao movimento que termina na família protagonista. Que tipo de operação é essa? Qual é a sua funcionalidade? Talvez tenha o objetivo de revelar que a província Omi é à beira de um lago. Talvez. Mas em uma operação tão inusual, é difícil responder categoricamente. As coisas no filme de Mizoguchi são assim: existem.
Perante isso, a crítica pode ser o supremo exercício do equívoco. Na tentativa de se dizer algumas palavras sobre Contos da Lua Vaga, corre-se o risco de se dizer muito pouca coisa – ou mesmo nada. Parece que no filme de Mizoguchi qualquer categorização é uma distorção, já que ele não é passível de compreensão através do verbalismo e da racionalização, coisas que obstruem muitas vezes a sensibilidade ocidental (e moderna). Assim, poderia se dizer que para entendê-lo é necessário compreender a cultura e arte oriental. Bobagem. Jacques Rivette inclusive apontava para a universalidade do filme, dizendo que para entendê-lo necessário aprender, não a língua japonesa, mas sim “o cinema”.
É um filme muito simples, a começar por sua história que versa sobre a ambição dos homens e o sacrifício das mulheres. Mas não é minimalista (como muito já se disse) e não se apega a elementos de estilo muito aberrantes e ruidosos porque não acredita em nada que venha mediar o sentido de seu filme com a sua forma. A forma de Contos da Lua Vaga é seu próprio sentido, e vice e versa. O aparecimento de um fantasma, o heroísmo oportunista (e falso), uma narração de alguém que já morreu como comentário final. A estratégia é a da convivência entre vivos e mortos, luz e sombra, a vergonha e a dignidade.
Tão modesto quanto misterioso e tão prosaico quanto fantástico, assim como o diretor torna evidente que a luz é responsável pelo claro e escuro (como na sensacional seqüência do embate entre Genjuro e o espírito do mundo dos mortos), tudo isso sem confusão nem oposição. É assombroso. Carrega consigo o fascínio simples das coisas balançadas ao vento, ao espanto do que se move à penumbra (coisas que não só do início do cinema, mas anteriores a ele), ao mesmo tempo submete tudo isso a uma atmosfera de brutalidade. É evidente que para Mizoguchi o ofício do cineasta é um trabalho elementar, que deve se preocupar somente com o necessário para dar materialidade às coisas, por isso seus travellings, gruas e a profundidade de campo revelam sempre “qualidades de presença”, por isso tudo parece sempre tão fantasmagórico. A violência, a ambição, a vergonha, o amor e a morte ganham imagem, não necessariamente uma “representação”. Por essa consciência, Contos da Lua Vaga é um filme especial, senão um dos maiores já feitos.

Francis Vogner dos Reis

 

*Publicado originalmente na revista Paisà

Andrew Wyeth V

Posted in Sem categoria by franvogner on 25/03/2011

Andrew Wyeth IV

Posted in Sem categoria by franvogner on 25/03/2011

 

 

 

 

 

 

Andre Wyeth III

Posted in Sem categoria by franvogner on 25/03/2011

 

 

 

 

 

 

Andrew Wyeth II

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Andrey Wyeth I

Posted in Sem categoria by franvogner on 24/03/2011

 

 

 

 

 

Edward Hopper V

Posted in Sem categoria by franvogner on 21/03/2011

 

 

Edward Hopper IV

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Edward Hopper III

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