No Olho do Furacão

Posted in Sem categoria by franvogner on 08/04/2011

“Violência no Brasil”

“Terrorismo”

“Medidas podem ser tomadas para evitar esses casos”

“É preciso fechar as fronteiras do tráfico”

As três primeiras frases são recorrentes nos discursos – de políticos e jornalistas –  sobre o assassinato das crianças na escola em Realengo. A estupidez, claro, dá o tom. “Violência no Brasil” é jargão generalizado que escorre da boca de quem fala em nome do país e transforma tudo em problema político – um modo de se fazerem intransigentemente necessários. Quem chamou o ato de terrorista foi o Zé Sarney dizendo que alguém “matou civis sem motivo”. Ok, Zé, o que você quer dizer é que só o motivo justifica o crime, vindo de você (um homem cheio de motivos pessoais) é compreensível, mas gostaria de lembrá-lo que terrorismo é ato de temperamento político e não podemos dizer que nesse caso este louco teve alguma motivação para além das paranóias individuais. A última, sobre o tráfico, é de autoria do senador Crivella em depoimento à rádio sobre o caso. Se não bastasse a estupidez, o delírio.

A tendência geral é tentar fazer disso um sintoma da violência no Brasil. Não, não é sintoma de um quadro social mais amplo como é o caso da violência gerada pela miséria e pelas paixões. O que aconteceu ontem foi outra coisa. Isso não é comum no país como é – em alguma medida – nos Estados Unidos. A culpa não é da religião, da Internet, da família e, se isso tudo faz parte de uma “rede de estímulos e responsabilidade”, não é possível mesurar o quanto e nem saber como algum desses elementos é decisivo na atitude de um siderado homicida e suicida. Medidas podem (e devem) ser tomadas para evitar que, por exemplo, se entre armado em escolas. Agora, achar que política pública pode resolver um absurdo de exceção é falácia, delírio e burrice. Querer arrumar explicações satisfatórias – de verniz ideológico ou moral – é arrumar um remedinho anestésico para um fato que a sensatez pede que seja engolido seco, porque o difícil é lidar com algo do qual não se pode “criar sentido” e nem “discurso”.

ps. deixem Marx, Freud e Cristo fora dessa, por favor.

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3 Respostas

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  1. Bernardo F Versiani said, on 09/04/2011 at 4:10 am

    Perfeito.

  2. Mr. Flow said, on 13/04/2011 at 2:53 am

    TUDO CULPA DO ZUMPA!!!!!!!!!!!

  3. Pathfinder said, on 14/04/2011 at 2:57 am

    Muito bom!


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