No Olho do Furacão

O que é um autor? – Francisco Bosco

Posted in Sem categoria by franvogner on 31/05/2011

Lembro-me de que, quando a figura do DJ surgiu no cenário musical, alguns críticos de música popular costumavam vociferar: “Mas isso não é arte! Afinal, o que esses caras tocam?!” Detecto aí uma curiosa metafísica às avessas, para a qual a arte, para ser arte, exige um domínio técnico material, manual (tocar violão, piano etc.). A operação do DJ (não, é claro, a obra que dela resulta), sendo ela mesma imaterial, situando-se na seleção e edição de formas já produzidas, não era percebida como potencialmente artística. Evoco esse caso de incompreensão porque há hoje uma tendência ao preconceito inverso, qual seja: o de acreditar que o tratamento dado a formas já produzidas representa uma mudança cultural no sentido de “abolir a distinção tradicional entre produção e consumo”. No limite, são as grandes noções de arte, obra, recepção e autor que estão em jogo.

A citação acima vem de um livro de Nicolas Bourriaud, sobre quem já escrevi aqui anteriormente. Em “Pós-produção: como a arte reprograma o mundo contemporâneo”, Bourriaud sustenta que os artistas que trabalham sobre formas já produzidas (como a prática do mashup, por exemplo), inserindo seu trabalho no dos outros, “contribuem para abolir a distinção tradicional entre produção e consumo, criação e cópia, ready-made e obra original”. Diferente da arte “tradicional” (aspas minhas) — da escultura grega ao “Finnegans wake” —, “os artistas atuais não compõem, mas programam formas: em vez de transfigurar um elemento bruto (a tela branca, a argila), eles utilizam o dado”. “Já não lidam”, portanto, “com uma matéria-prima”.

Vejo equívocos fundamentais aí. Pois essa “distinção tradicional ” nunca existiu, nem tampouco se pode falar, num sentido decisivo, em “elemento bruto” e “matéria-prima”. No campo da arte não há produção
dissociada do  consumo — nem no âmbito da produção nem no do consumo (se me permitem a formulação provocativamente ilógica). Para que uma obra de arte seja uma obra de arte, e não apenas uma coisa sem sentido, é preciso que um sujeito atualize seu sentido, produza-o a seu modo. É o receptor quem, a cada vez, realiza a passagem da coisa à obra. Postular um consumo sem produção, no campo da arte, só é pertinente no caso, por exemplo, de megaexposições fetichizadas, para onde hordas são atraídas antes em busca do significado social de ir à mostra do que em busca do encontro, necessariamente produtor, com as obras mesmas. Mas aí se trata de um problema do receptor, jamais das obras.

Do mesmo modo como não há consumo sem produção, não há produção sem consumo. Os artistas tradicionais não fazem outra coisa senão selecionar, misturar, editar, sintetizar, interpretar outras obras. Não existe, em sentido estrito, criação exnihilo, originalidade. Bourriaud cita o conhecido texto de Barthes, “A morte do autor”; mas é justamente nesse texto em que podemos ler: “Nós sabemos que um texto é (…) um espaço multidimensional no qual uma variedade de escritas, nenhuma delas original, misturam-se e chocam-se. O texto é um tecido de citações egressas dos inumeráveis centros da cultura”. “Sem dúvida isso sempre foi assim”, arremata (na minha edição particular do sentido). Portanto, não há diferença essencial entre a pós-produção e a arte “tradicional”. Uma tela nunca é branca, a argila
nunca é intocada. Na origem da produção está o consumo. Todo artista é um bricoleur, toda escrita resulta de um conjunto de leituras.

Em suma, a prática da pósprodução revela, explicita, materializa a natureza da arte tradicional, que, por sua vez, desfaz os preconceitos contra a pós-produção. Há nisso tudo, entretanto, uma dimensão que considero culturalmente lamentável. Refiro-me a certo ressentimento contra a arte “tradicional”. Esse ressentimento pode ser detectado nas acusações de autoritarismo que lhe imputam, ao se afirmar que ela pretende ser, a um tempo, a origem e “o ponto final”; que ela é apenas “o receptáculo da visão do artista”; ao associá-la, em suma, a uma “cultura passiva  ” . É bom lembrar que,  em outro texto (mal) citado por B o u r r i a u d , “ O que é um autor?”, de Foucault, o autor é visto, na sua acepção mais radical, como um instaurador de diferenças.Foucault fala de uma categoria-limite de autores, os “fundadores de discursividade”, como Marx e Freud, cujas obras abrem um caminho vasto para que se produzam, por meio delas, diferenças. Ou seja, o oposto do autoritarismo. Desse ressentimento decorre, diz uma artista citada por Bourriaud, que “o que importa é existir uma espécie de igualdade” entre o artista e o outro (o receptor). O risco aí é que, igualando-se, nenhum dos dois seja capaz de ultrapassar a si próprios.

Não compreendo o ressentimento contra artistas. Em “Um amor de Swann”, Proust faz com que toda a vida de Swann seja modificada pela audição de uma única frase de uma sonata de Vinteuil. Essa frase, “revelando a si mesmo tantas riquezas de sua alma”, “mostrando quanta riqueza, quanta variedade, sem que saibamos, oculta essa grande noite impenetrada e desencorajadora da nossa alma, que tomamos por vazio e nada” — essa frase faz com que Swann pense em Vinteuil como “um irmão desconhecido e sublime”. Sim, os artistas são nossos irmãos desconhecidos. E são nossos irmãos porque nos apresentam ao que, em nós mesmos, desconhecemos, e assim nos elevam à altura da vida, livrando-nos do vazio e do nada. Para isso, devemos desejar, não que os artistas sejam iguais a nós, mas que sejam sublimes.

Fredrich Jamenson

Posted in Sem categoria by franvogner on 27/05/2011

Jamenson veio dar palestras aqui pelo preço de 1.950,00. Vi na Folha. MAs o que me chamou a atenção foi algo que ele disse. Um trecho da matéria (nota, na verdade):

“Sobre arte, reclamou de jovens que preferem se inspirar em ideias do filósofo Jean Baudrillard, do que em traços do pintor Pablo Picasso.
“Arte não é mais um objeto, é um evento”, disse.”

Absolutamente esclarecedor.

O caráter destrutivo

Posted in Sem categoria by franvogner on 25/05/2011

1931

Walter Benjamin

É possível que alguém, ao fazer um retrospecto de sua vida, verifique que quase todas as ligações mais profundas que ele experimentou, tenham partido de indivíduos sobre cujo “caráter destrutivo” todo o mundo estava de acordo. Esbarraria um dia, talvez casualmente, nesse fato, e quanto mais duro fosse o choque, tanto maiores seriam suas chances de representar o caráter destrutivo.

O caráter destrutivo conhece apenas uma divisa: criar espaço; conhece apenas uma atividade: abrir caminho. Sua necessidade de ar puro e de espaço é mais forte do que qualquer ódio.

O caráter destrutivo é jovem e sereno. Pois destruir rejuvenesce, porque afasta as marcas de nossa própria idade; reanima, pois toda eliminação significa, para o destruidor, uma completa redução, a extração da raiz de sua própria condição. O que leva a esta imagem apolínea do destruidor é, antes de mais nada, o reconhecimento de que o mundo se simplifica terrivelmente quando se testa o quanto ele merece ser destruído. Este é o grande vínculo que envolve, na mesma atmosfera, tudo o que existe. É uma visão que proporciona ao caráter destrutivo um espetáculo da mais profunda harmonia.

O caráter destrutivo está sempre atuando bem disposto. A natureza lhe prescreve o ritmo, pelo menos indiretamente: pois ele deve adiantar-se a ela, do contrário ela própria assumirá a destruição.

O caráter destrutivo não se fixa numa imagem ideal. Tem poucas necessidades, e a menos importante delas seria: saber o que ocupará o lugar da coisa destruída. Primeiramente, pelo menos por um instante, o espaço vazio, o lugar onde se encontrava a coisa, onde vivia a vítima. Certamente vai aparecer alguém que precise dele, sem ocupá-lo.

O caráter destrutivo executa seu trabalho, evitando apenas trabalhos criativos. Assim como o criador busca a solidão, assim também o destruidor precisa cercarse continuamente de pessoas, de testemunhas de sua eficácia.

O caráter destrutivo é um sinal. Assim como um sinal trigonométrico está exposto ao vento, de todos os lados, assim também ele está exposto, por todos os lados, aos boatos. Não tem sentido protegê-lo contra isso.

O caráter destrutivo não tem o mínimo interesse em ser compreendido. Considera superficiais quaisquer esforços nesse sentido. O fato de ser mal entendido não o afeta. Ao contrário, ele provoca mal entendidos, assim como o faziam os oráculos – essas instituições políticas destrutivas. O fenômeno mais pequeno-burguês, o falatório, só acontece porque as pessoas não querem ser mal entendidas. O caráter destrutivo não se importa de ser mal entendido; ele não fomenta o falatório.

O caráter destrutivo é o inimigo do homem-estojo. O homem-estojo busca sua comodidade, e a caixa é sua essência. O interior da caixa é a marca, forrada de veludo, que ele imprimiu no mundo. O caráter destrutivo elimina até mesmo os vestígios da destruição.

O caráter destrutivo se alinha na frente de combate dos tradicionalistas. Uns transmitem as coisas na medida em que as tomam intocáveis e as conservam; outros transmitem as situações na medida em que as tornam palpáveis e as liquidam. Estes são chamados destrutivos.

O caráter destrutivo tem a consciência do indivíduo histórico cuja principal paixão é uma irresistível desconfiança do andamento das coisas, e a disposição com a qual ele, a qualquer momento, toma conhecimento de que tudo pode sair errado. Por isso, o caráter destrutivo é a confiabilidade em pessoa.

O caráter destrutivo não vê nada de duradouro. Mas, por isso mesmo, vê caminhos por toda a parte. Mesmo onde os demais esbarram em muros ou montanhas, ele vê um caminho. Mas porque vê caminhos por toda a parte, também tem que abrir caminhos por toda a parte. Nem sempre com força brutal, às vezes, com força refinada. Como vê caminhos por toda a parte, ele próprio se encontra sempre numa encruzilhada. Nenhum momento pode saber o que trará o próximo. Transforma o existente em ruínas, não pelas ruínas em si, mas pelo caminho que passa através delas.

O caráter destrutivo não vive do sentimento de que a vida vale a pena ser vivida, e sim de que o suicídio não compensa.

Walter Benjamin, “Der Destruktive Charakter”, in: G.S., IV , pp. 396-98.

Edição brasileira: BENJAMIN, Walter. Documentos de cultura, documentos de barbárie: escritos escolhidos. Seleção e apresentação Willi Bolle; tradução Celeste H.M.Ribeiro de Sousa (et al.). São Paulo, Cultrix/Edusp, 1986. pp.187-188.


A Larco production

Posted in Sem categoria by franvogner on 14/05/2011

Os anti-Mário Pedrosa

Posted in Sem categoria by franvogner on 12/05/2011

buuuuuuuu!!!!!!!!!!!

Entrei hoje no blog do Rogério Skylab e me deparo com uma fala dessa bruxa, Ferreira Gullar, nO Globo:

“Vik Muniz é exemplo de como se pode ser moderno sem usar recursos do passado e fazer uma coisa bonita e interessante. O impacto dele é a beleza, e não ser repugnante ou constrangedor”.

Depois de tanto tempo escrevendo sobre artes plásticas, Gullar não consegue justificar sua concepção de “beleza” no trabalho de Vik Muniz, uma beleza que é só uma miragem pura e simples. Não uma miragem de forma (que já seria idiota), mas uma miragem de conceito, o que é grave já que implica a idéia e sua execução. É uma obra sem “fato”.

Ferreira Gullar como crítico é de dialética comparativa: “esse não é igual aquele, portanto…”.  Como escritor também surgiu com base na comparação: “os concretistas são aquilo, porém eu (neo) sou isso…”. É um conservador com vergonha, um decadente acabrunhado.

Che Guevara de feijão: a beleza, segundo Ferreira Gullar

O papel de Gullar na “cultura brasileira” (perdão pelo termo) foi um só: ele é aquele tipo de artista que cultiva um certo ressentimento com a arte de vanguarda (sobretudo o concretismo paulista), como se ela esgotasse o objeto artístico em termos racionais e sintéticos. O livro Poesia Suja, que é limpo e sem graça, é um dos maiores embustes da literatura brasileira moderna simplesmente porque não tem força em seu gesto literário, apesar do barulho em torno da obra, não da obra em si. Gullar fala pra caramba, se auto-admira exageradamente e faz um bom marketing retórico de sua obra.

Gullar pode ser considerado o pioneiro de certa estirpe de artista-contemporâneo-brasileiro (alô alô cineastas) que se faz mais pelo seu discurso artístico  sobre sua própria obra, do que por…sua obra.

E o que o título “anti-Mário Pedrosa” tem a ver com isso?

Mário Pedrosa supostamente influenciou o crítico Gullar, porém era um intelectual arriscado, exigente, generoso e talentoso. Além disso, suas apostas eram propositivas, porque ele (como bom dialético) usava seu instrumental teórico com mais desenvoltura, era um militante da arte moderna sem distinções banais, como “moderno sem usar recursos do passado…a beleza, não o repugnante e o contrangedor”. Já Ferreira Gullar é essencialmente reativo.

Propositivos e reativos

Por um lado isso é até compreensível. Hoje é mais fácil ser reativo que propositivo, dado o panorama de reciclagem de propostas estéticas embaladas a vácuo em discurso-arremedo de vanguarda. Falo isso por mim que sou bastante reativo.

Tenho amigos e críticos que admiro que são reativos e boa parte de seu valor está ai. O problema às vezes desse ponto de partida é o de precisar se afirmar a partir da negação daquilo que não se gosta. Isso pode ser tornar um exercício tedioso e às vezes inócuo. Gullar – que não é meu amigo e que eu não admiro – é o exemplo disso.

O que poder ser ruim nessa postura reativa é que ela está a um passo do decadentismo e das generalizações mais fáceis (e reacionárias). Se há de se ser reativo, há de se ser também vigilante.

Antes que eu me esqueça: ser propositivo não é tirar coelho da cartola ou dizer como os filmes deveriam ser, mas propor uma relação – não sem ruídos, não sem a individualidade do escriba, não sem o erro – com a obra como ela é (objetivamente ) e como ela existe (no mundo). Os melhores críticos de arte (como Mário Pedrosa) e os melhores artistas (todos os grandes) nunca aceitaram a idéia de que na arte “vale tudo”, geralmente lidam com as obras entre o fascínio e a abjeção, propondo um olhar e um questionamento (propositivo, mas também reativo), ambos esforços do intelecto e do espírito.

Mário Pedrosa

A obsessão recente por Mário Pedrosa vem de dois livrinhos formidáveis: Arte, Forma e Personalidade (antigo Da Natureza Afetiva da Forma na Obra de Arte) e Dos Murais de Portinari aos Espaços de Brasília. Só para quem gosta de arte,  de inteligência e de texto elegante. Não é burocracia intelectual.

Anti-Mário Pedrosa 2

Mário Pedrosa tinha uma certa proximidade com Hélio Oiticica, Lígia Pape, Lígia Clark, Amílcar de Castro e outros. Proximidade não quer dizer intervenção e nem intimidação. Pedrosa não era a consciência crítica daquela geração,  mas dialogava com artistas que também tinham suas idéias (isso é fundamental).

No cinema, nem Paulo Emílio foi mestre intelectual do Cinema Novo, nem Bazin foi teórico da Nouvelle Vague. Aliás é interessante ver que o núcleo duro da Nouvelle Vague (os 5 jovens turcos), não faziam da direção espelho de seu trabalho crítico. Eric Rohmer, por exemplo, já disse que quando crítico defendia plano-sequência, como cineasta não sabia ser outra coisa senão um cineasta de montagem.

Hoje, Jean-Claude Bernardet é um anti-Mário Pedrosa, pois parece que todo cineasta com quem ele dialoga (ou provoca), compra e instrumentaliza seu discurso.

-Jean-Claude é por exemplo, o maior problema em Filmefobia. Toda a tentativa de estar no processo e pensar o processo, faz do filme de Goiffman um constrangido, frio, seguro e distanciado filme teórico. Há um grande risco no filme: o das coisas entrarem em colapso e essa seria uma possibilidade fantástica. Isso está no processo de perda de visão de Jean-Claude. No filme esse drama é poderoso e é onde, me parece, o diretor confronta Bernardet.

-Jesus no Mundo Maravilha, de Newton Cannito, recebeu uma ou outra crítica (em texto ou não) conservadora, daqueles que o diretor chama de “documentaristas católicos”.  Cannito ligou seu bat-sinal e apareceu Jean-Claude para salvá-lo, naquele texto em que diz que o filme é “subversivo”. Vez ou outra Bernardet vem em socorro deste filme, como vimos este ano no É tudo verdade.

-Marcelo Pedroso anda surfando nas ondas que Bernardet fez a respeito de Pacific, que por sua vez se relaciona com que Andre Brasil e alguns outros escreveram sobre o filme, sempre de olho no “regime de imagens contemporâneas”,  e claro, a discussão sobre o filme – que tem seu interesse – não transcende a pauta teórica. O diretor parece satisfeito, o que é uma pena.

Ontem, o Cléber Eduardo me colocou algumas questões sobre isso, dizendo que o problema fundamental está nos cineastas e não em JCB.  Concordo com ele. Goste-se ou não, Jean-Claude tem suas idéias, já os cineastas parecem gostar sobretudo de serem legitimados. Não posso dizer que eles não tenham idéias próprias, mas eles parecem aceitar uma interlocução que privilegia o crítico e deixa o próprio filme à deriva. É um tiro no pé.

Seria bom ver cineastas que discordam de críticos que gostaram de seus filmes e que defendam o seu próprio olhar e  não acreditem no anything goes intelectual em cima de seu trabalho. Tiago Mata Machado é um dos poucos que fazem isso. Mas ai os críticos se magoam e dizem que o cineasta é arrogante e etc…

Saber e coração

Tudo isso me lembra uma carta que o cineasta Luiz Rosemberg me enviou em que ele escreveu: “uma vez tomando café com Godard, ele disse à mim e ao Glauber que ao cinema faltava “saber e coração””.

Isso é lúcido. Nada mais anti-retórico, por isso mesmo, forte à beça.

Fashion Victims

Posted in Sem categoria by franvogner on 07/05/2011
“Deus meu! como amo a moda!”, declarou em carta Madame de Sévigne, nobre e habitué da vida na corte no século XVII.

A côrte não é coisa do passado, a diferença é que hoje ela foi ampliada e a quantidade de Barry Lyndons é avassaladora. A saber: Barry Lindon são aqueles que se imiscuem na côrte “vestindo” valores, credos e etc, sem convicção alguma, o negócio é participar do baile. Como já disse um amigo, é o efeito “T-shirt”. É a moda!

Falo isso porque é interessante notar essa espírito de côrte nesse pequeno universo cinematográfico brasileiro, onde a gentileza e a retórica são as chaves da política de salão. Tem o cineasta que esperneia quando se fala mal do seu filme e também tem gente que instrumentaliza a crítica pra justificar os filmes . Isso hoje é carne de vaca.

Nessa busca de legitimação vale tudo:

– Transformar um diagnóstico baseado num equívoco de ponto de partida (Por um cinema pós-industrial, de Cézar Migliorin) em um manifesto;

– Legitimar os filmes via Jean-Claude Bernardet. Pacific e Jesus no Mundo Maravilha são os dois casos em que nosso pontífice é solicitado para dar a benção. Deveria se inventar um selo para colar nos DVDs: “aprovado por Jean-Claude Bernardet”. E claro, suas idéias acabam se propagando e se transformando em ferramenta.

– Falando em ferramenta, outro dia dois ou três amigos e conhecidos disseram que é impressionante como se usa o intrumental do Comolli para se justificar projetos de documentário em editais. Seria só triste se não fosse absolutamente vulgar…

Alguns amigos estiveram no Cine Esquema Novo este ano. O festival se declarou como festival do “cinema pós-industrial” (??). Sérgio Alpendre teve impressões interessantes e certamente logo mais vai publicar texto no seu blog sobre o que viu e o que pensou dos filmes. O que tudo indica, é que não teve impressão muito positiva.

O Fábio publicou na Cinética um texto geral sobre o Cine Esquema Novo, que busca fazer algumas distinções e criticar a  retórica que permeia a apreciação de alguns filmes.

Às vezes escrever uma crítica franca é como peidar à mesa e deixar de ser “legal” ou é como ir à São Paulo Fashion Week com uma camisa do Iron Maiden, calça de moleton e chinelos. Às vezes defender algumas prerrogativas estéticas é como estar na marcha-ré da História. Lembro-me de um amigo que em uma aula na pós-graduação, disse que a professora falava de determinada escola da pintura do século XIX (de modo meramente sociológico) e considerava que falar da luz e da textura desses quadros não era tão importante, pois era uma “discussão clássica”.

Madame de Sévigné: "Deus meu! Como amo a moda!"


Delerue 62/63

Posted in Sem categoria by franvogner on 06/05/2011

Garoto do ABC

Posted in Sem categoria by franvogner on 29/04/2011

Duas piadas ruins…

Posted in Sem categoria by franvogner on 29/04/2011

…sobre pensadores (zzzzzzzzzzzzzzz) do cinema:

– Sabe por que nossos teóricos são tão raquíticos?

R: Porque eles vivem de “regime de imagens”

– Nossos estudiosos comollinianos ficaram ligados na transmissão do casamento de Willian e Kate. por que?

R: Querem entender o  “efeito do real”

Sacou?

Provavelmente sim.

notinhas Too $hort 1

Posted in Sem categoria by franvogner on 27/04/2011

* para ler este post, colocar a música do Too $hort que está no link de youtube no fim desse post.

-Os meninos da elite paranaense continuam aprontando. Sabemos que Robertinho Requião tem uma inclinação barraqueira que já causou sérios problemas com uma imprensa que cheira a enxofre. Enfim, wrestling na lama. Ontem (já como senador) o que ele fez com o jornalista da Band não é surpresa para quem acompanha os humores do herdeiro máximo do clã Requião . A imprensa caiu de pau. Justíssimo, pois um garoto desse idade não tem conserto e tem de pagar por suas arruaças. Já a nossa querida imprensa que está dando um corretivo no Robertinho faz cara de paisagem para o feito mais recente de outro arruaceiro paranaense bem nascido: o governador  Beto Richa. Beto censurou o blogueiro Esmael Moraes por falar demais. Robertinho e Beto não gostam de quem não os elogie. Meu avô dizia que isso é falta de uma boa “corsa” em casa.

– A imprensa (essa que está dando um corretivo nesses políticos safados) não mente, mas também não gosta da verdade. Curte mesmo é uma “meia verdade”. Já dizia padre Merrin em O Exorcista (parafraseando o profeta Daniel) que a estratégia do Diabo é confundir a verdade com a mentira.

– Christophe Honoré terá o seu último filme encerrando o festival de Cannes? É isso? Se for verdade o que eu li por ai no twitter de uns amigos (não me dei o trabalho de pesquisar) não é o fim do mundo nem nada parecido.  O fulano é um cineasta raquítico, um esnobe e etc. Portanto, é só o tédio. O tédio mais pleno e absoluto. Sabe o tédio dos bistrôs afrancesados de São Paulo? O tédio  das miseráveis seções de arte de nossas livrarias? É mais ou menos isso.  Honoré é o cineasta da cultura café chique + livraria de arte esnobe (e ruim, pois só vende catálogos de arte de segunda com capa bonita).

-Não,  fãs de Honoré, não vi o filme de Honoré. Mas ele é um auteur da prateleira do cinema contêmporaeo e é provável que neste filme se encontre o mesmo conceito que cruza brechó com tok & stok.

-E se o filme for bom? Sorte a do diretor, pois irá romper com a ordem miserável do mundo (ou seja: será um milagre). Minha indisposição é menos com o diretor  e mais com o tipo de marketing que os festivais internacionais andam empreendendo em cima de alguns nomes. E sabemos que tem muita gente louca pra ser vedete tipo Honoré.

– Meus amigos andam com essa mania de usar este “<” e este “>” sinal.  Eu vou usar este “=”. Fará sentido. Quer ver? Jeff Koons = Vik Muniz = Christophe Honoré …É uma fraternidade espiritual.

– Minha namorada reviu Os Residentes no CEN. Disse que já era bom e melhorou. Provavelmente está certa. Love you.

– Eu curto rap, não a cultura hip hop da rua Augusta. Por isso ai vai um clássico, via meu amigo Bury . Too $hort